Transformações do espaço na sociedade urbano-industrial 9º ano
Atividade 9º ano Geografia
Unidade Temática: Mundo do trabalho
Objetos de conhecimento: Transformações do espaço na sociedade urbano-industrial
Unidade Temática: Conexões e escalas
Objetos de conhecimento: Integração mundial e suas interpretações
Boa noite!
Eu elaborei esta atividade para trabalhar a 2ª fase da mundialização, de acordo com as 4 fases da mundialização do livro didático *Expedições Geográficas, 9º ano, dos autores Melhem Adas e Sérgio Adas, Editora Moderna, edição de 2020 do PNDL. A atividade é parte de uma sequência didática com textos e questões abertas, alguns textos são trechos de livros acadêmicos e paradidáticos, ou adaptados deles. Vou postar as demais atividades nos próximos dias.
A atividade de hoje contem um trecho do livro Cidades do Amanhã (HALL, 2009).
Texto 1: A CIDADE DO CORTIÇO NA EUROPA
Londres,
mais do que qualquer outra cidade britânica da província, foi o palco onde se
representou a maior parte desse drama até a exaustão. Mas isso porque —
conforme reconhecia a Comissão Real em 1885 — ali o problema habitacional era
muito pior; o que, por extensão, dava bem a medida do tamanho de Londres. Com
seus 5,6 milhões de habitantes no início de 1890, não havia outra área urbana
britânica que lhe fizesse frente; densidades habitacionais, arrendamentos de
solo, problemas de transporte, competição pelo espaço, com certeza haveriam de
ser, ali, muito mais agudos. Mesmo em escala internacional, contra os 4,1
milhões da região de Paris e o 1,6 milhão da Grande Berlim, Londres era
incontestavelmente a maior cidade da Europa, e até mesmo do mundo. Mas justamente
por serem relativamente menores e mais densas, essas outras cidades competiam
com suas próprias histórias de terror. Em Paris, 2,45 milhões de pessoas que
habitavam a cidade histórica, em 1891, moravam numa área duas vezes mais densa
que a do LCC. Nessa data, Bertillon concluía que 14% da Paris pobre, ou
seja, 330.000 pessoas, viviam em moradias superlotadas; os pobres estavam
alojados até pior do que em Londres. Sellier calculava, em 1911, que o
total ainda era de 216000, mais outros 85000 nos subúrbios, morando duas ou
mais pessoas em cada quarto. Lá também a legislação — em 1894, 1906 e 1912 —
permitira a construção de habitações de baixo custo para as classes
trabalhadoras, tendo a mais recente conseguido que as autoridades locais instalassem
escritórios incumbidos de construir e administrar tais habitações com subvenção
estatal. No entanto, daí até 1914, apena s 10000 dessas moradias haviam sido
construídas em toda a região de Paris, total inexpressivo [...].
Berlim,
onde a população estava crescendo a uma velocidade quase igual à
norte-americana — quase dobrando em vinte anos, de 1,9 milhão em 1890 para 3,7
milhões em 1910 —, era, como Paris, uma cidade extraordinariamente compacta e,
portanto, populacionalmente saturada; seu crescimento foi acomodado em
"casernas de aluguel " de cinco pavimentos, abarrotadas de gente, e
dispostas em torno de quintais de quando muito 15 pés de largura, ou seja, o
mínimo necessário para permitir a entrada de um equipamento contra incêndio.
[...]
Verificou-se,
porém, nas capitais europeias, uma interessante reação ao crescimento e à
superlotação: tanto em Londres como em Berlim, aumentava o temor de que a
população urbana fosse, de certo modo, biologicamente incapaz. Por volta de
1900, o recrutamento para a guerra sul-africana tornou patente o fato de que
dos 11 000 jovens convocados em Manchester, 8 000 haviam sido rejeitados e
apenas 1000 estavam aptos para o serviço militar. Mais tarde, na Primeira
Grande Guerra, a Comissão Verney reafirmava que a compleição física do
segmento urbano da Grã-Bretanha tendia a deteriorar-se, mantendo-se unicamente
graças ao recrutamento feito no interior.
A Inglaterra
do passado foi uma Inglaterra de homens reservados, silenciosos, espalhados em
pequenas cidades, povoados e casas de campo... O problema que se planteia para
os anos vindouros é exatamente o problema de... um tipo físico característico
do habitante citadino: raquítico, tronco estreito, facilmente dominável pelo
cansaço: mas volúvel, excitável, com pequeno lastro de resistência — procurando
estímulo na bebida, nas apostas, em quaisquer conflitos insólitos que venham a
ocorrer no lar ou adjacências. CHARLES MASTERMAN, The Heart of the Empire
(1901).
[...]
Fonte do texto: HALL, Peter. Cidades do Amanhã.uma história
intelectual do planejamento e do projeto urbanos no século XX.. São Paulo:
Perspectiva, 2009.
Atividades
do texto 1: A CIDADE DO CORTIÇO NA EUROPA
Copie as questões e responda no caderno:
1_) Qual era a população de:
a)
Londres em 1890?
b)
Paris em 1891?
c)
Berlim em 1891?
2_) Por que Berlim e Paris não tinham boas condições para a vida da classe
trabalhadora? Por que eram piores do que Londres?
3_) Qual é a relação entre a situação da população de baixa renda e a
Revolução Industrial?
4_) Qual o plano feito pela legislação de Paris para a classe trabalhadora?
5_) Segundo Charles Masterman, como era a Inglaterra do passado? E a de 1901?
Atividade formatada em jpeg para você copiar e colar no editor de texto, no formato A4. É só ajustar a página e imprimir. Se copiar o texto acima e colar, não apague as sfonte do texto para não ter problemas com direitos autorais, etc, Se possível referencie o meu blog 👉 Grata!
LUCENA, Ubiranan Pereira de. Sequência didática sobre a segunda fase da mundialização - texto 1 e atividades para o 9º ano. Santa Luzia: Prefeitura de Santa Luzia, 2022.
MASTERMAN Charles Frederic Gurney. The Heart of the empire: Discussions of problems of modern city life in England. Internet Archive. Disponível em: https://dn790001.ca.archive.org/0/items/heartofempiredis00londuoft/heartofempiredis00londuoft.pdf


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